Um júri


Compadre, quero morrer
com decência, em minha cama.
De ferro, se for possível,
e com lençóis de cambraia.
Não vês que enorme ferida
vai de meu peito à garganta?
— Trezentas rosas morenas
traz tua camisa branca.
Ressuma teu sangue e cheira
em redor de tua faixa.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
Que eu possa subir ao menos
até às altas varandas.
Que eu possa subir! que o possa
até às verdes varandas.

(Fragmento de “Romance Sonâmbulo” de Federico García Lorca).

Meu pai, comigo e minha irmã. Feira de Santana, 1974.
Meu pai, comigo e minha irmã. Feira de Santana, 1974.

Depois de 16 anos de espera e dez horas de tensão, o 29 de novembro de 2012 foi um dia de catarse. Plenário do tribunal do júri de Petrolina, Estado de Pernambuco. Eu presente. Embora ausente, meu pai também estava ali: o sociólogo José Raimundo Aras fora a vítima.

Finalmente, o sr. Carlos Robério Vieira Pereira, S. Exa. o réu, teve seu encontro com a espada de Têmis, a afiada língua de um promotor de Justiça. Pelos idos de 1996, esse moço cumpriu uma empreitada. Três homens que louvavam o dinheiro alugaram seu serviço para um crime de mando: matar meu pai. Escolheram-no a dedo. Já era um tarimbado homicida. Em 1988, na vizinha Juazeiro, ele tirara a vida de outro homem. Mas só foi julgado em 2002, sendo condenado a 6 anos de prisão… É quanto vale uma vida no Brasil.

Depois das idas e vindas tão características do tortuoso processo penal brasileiro, uma representação por excesso de prazo ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu gavetas esquecidas. De uma saiu um velho processo. Da outra, antigas feridas. Chegara a hora (veja este vídeo). O pistoleiro seria o primeiro dos quatro homicidas a ser julgado pelo povo de Petrolina.

Na tribuna, às margens do majestoso Rio São Francisco, esteve todo o tempo, como um soldado da sociedade, o promotor Júlio César Soares Lira, que sustentou a acusação de homicídio duplamente qualificado. Em 1996, já membro do Ministério Público, nada pude fazer para impedir essa violência contra meu pai, morto em consequência de sua atividade como auditor fiscal, na região de Juazeiro. Ele descobrira um esquema de sonegação de ICMS, envolvendo grandes atacadistas dali, que formavam a “Máfia do Açúcar”. Perdeu sua vida por isto. Mas não perdeu seu nome, nem sua honra. Era um servidor público.

Sonegação “mata” escolas; sonegação “mata” hospitais; sonegação “mata” rodovias. Sonegação mata pessoas. A sonegação matou meu pai. A tiros.

O “Velho Chico“, onde J.R. banhou seus sonhos de infância, levou seu sangue para o mar. O menino que meu avô — o escritor José Aras –, chamava de Zênite, agora ocupava o firmamento. Como a Lua do romance cigano de Lorca, era uma face pálida e fria quando o velamos em Salvador em outubro de 1996. Nunca o enterramos.

Quem mata um homem, mata o mundo. Um homicídio não é a morte de uma pessoa, doutores da lei. É um universo que se perde; pensamentos, histórias e futuro que se vão. Uma vida em vão. Filhos sem pai. Esposa sem marido. Amigos sem conforto. Um vagalhão de horas incertas. – “Por que não tenho vovô?”, pergunta a neta… E eu não tenho o que dizer.

A cadeia não é recompensa. Pode ser castigo. “Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil” (Mateus 5:26). Mas no Brasil, Terra de Santa Cruz, as vítimas carregam umas bem pesadas. Mesmo condenado, tarda o executor do crime a pagar o seu “imposto”. Sentenciado a 18 anos de reclusão em regime fechado, continua inocente, como você e eu. Dizem que é o que está na Constituição. A vítima está morta, sem apelação.

Ali mesmo onde também tombou o meu colega Pedro Jorge de Melo e Silva, começamos a sentir uma brisa de esperança. O tribuno Júlio César Lira estava a postos, do lado da sociedade, para “cobrar” o tributo devido pelos réus.

www.bta.bg
Campanha da “Rio de Paz” (nov/2012). Quantos desses crimes permanecem impunes?

Quero agradecer publicamente a este especial promotor de JUSTIÇA, que mostrou sua honradez logo na seleção dos jurados, ao recusar motivadamente um dos cidadãos sorteados, por ser ele da mesma profissão que a vítima. Na sua pessoa, quero agradecer a todos os promotores do júri do Brasil que labutam em casos iguais nos rincões deste País. Não esquecem as vítimas. Säo sua última voz. Força, colegas. Não desanimem nunca!

Quero agradecer a este promotor de Justiça por haver conseguido a prisão preventiva de um dos mandantes, talvez o verdadeiro cabeça da trama. Confiando na impunidade e crente nas firulas parnasianas do processo, S. Exa. o sr. Carlos Alberto da Silva Campos não compareceu ao júri. O corréu correu. Usou o batido “motivo de saúde” como escusa. O réu está doente, mas é a Justiça quem padece. Júlio César tinha pronto o antídoto, com a fórmula número 312, da botica do CPP. Se o réu é um devoto da prescrição, do lado de cá temos fé num julgamento justo, que dê a César aquilo que é seu. Foi então que um juiz probo e correto, um Cícero, decretou a prisão cautelar do réu “ausente”. A razoável duração do processo é também uma garantia dos ofendidos. E nós todos estávamos ali. Esperando. Pois este é o estado de quem tem esperança.

Quero agradecer-lhe, Júlio César, por ter atuado como um Neymar no “primeiro tempo” e ter ido à réplica com a maestria de um Messi, voltando ao pódio da sociedade melhor ainda do que antes, inflamado e centrado na prova, inspirado e motivado, contundente como um soco no estômago. A impunidade ainda se insinuava nos desvãos da lei.

Quero agradecer-lhe por ter defendido a memória da vítima, vilmente atacada em plenário pelo advogado do réu. Se sua tese era a negativa de autoria, qual o propósito em vilipendiar quem ali não tinha direito à “ampla defesa”? Nas mesmas terras em que passou parte de sua infância, o sertanejo José Raimundo Aras viu sua vida ser levada pelas mãos avarentas de quatro assassinos. No tribunal do júri, no dia do julgamento do seu carrasco, o defensor do acusado quis matar-lhe também a honra. Mas não conseguiu: um promotor estava de guarda.

Quero agradecer-lhe por revelar a inconsistência da tese do defensor, dando-lhe o nome que merecia: “pastel de feira”, grande, vistoso e fácil, mas vazio e insosso, um “pastel de vento”. Todo homem tem direito a defesa. Mas, para vencer, é preciso ter razão!

Quero agradecer-lhe por haver saudado a cadeira vazia, o “banco das vítimas”, mais doloroso e frio que o banco dos réus. Têm em comum uma certa dor, mas aquele é mais perene do que este e mais imediato. Para a vítima que vai e para as que ficam a pena é cumprida logo e sem recurso. É comprida…. A sanção da ausência é para sempre e sem devido processo. Para a cadeia se vai e há sempre regresso.

Quero agradecer-lhe como cidadão, não como colega, pois ali estávamos os filhos, os amigos, os parentes à espera de Justiça, a mesma que também é prometida a todos os cidadãos pelo art. 5º da Constituição, mas sonegada dia após dia, desde os Pampas até a Floresta. Era uma promessa da lei. E o promotor Júlio César a entregou! O veredicto do povo pernambucano pôs um primeiro curativo em feridas não cicatrizadas há mais de uma década. Doem ainda, confesso. Nesta hora, não tenho direito ao silêncio.

Quero agradecer-lhe por não haver descansado nem depois de lida a sentença. Com um denso requerimento de preventiva, rebateu o absurdo que há em um homem ser condenado por um tribunal “soberano” a 18 anos de prisão e sair solto pela mesma porta dos seus juízes e de suas vítimas. S. Exa. o réu respondia em liberdade. Assim recorrerá até as calendas gregas. Deus sabe quando.

Nada fora do script. Há outros inúmeros casos assim. O dedicado juiz que presidiu a sessão seguiu a jurisprudência “dominante”. Invocou o caso “Mensalão” para dizer que, se lá, onde os réus não têm direito a recurso algum, todos estão soltos, ali, “com mais razão”, o réu deveria recorrer em liberdade. O executor, que leva no curriculum duas condenações por homicídio, mora em Manaus. Mas a “jurisprudência” de Brasília está ao seu lado. Teremos de confiar – apenas isto – que ele, já condenado, não se enfurnará num igarapé ou que não cruzará uma fronteira qualquer.

Como se vê, os exemplos das cortes superiores arrastam os juízes – mesmo os probos como este. Porém, não foi a lição estereotipada vinda das cortes de Brasília o que marcou esse episódio. Felizmente, o exemplo que moveu a comunidade petrolinense e os vários estudantes que ali estavam nesse dia memorável foi o amor do promotor Júlio César Lira pela camisa rubro-negra, não a vermelha e preta do seu Sport, mas a preta e vermelha do nosso Ministério Público.

A "varanda verde" do Sertão
A “varanda verde” do Sertão.

Graças a sete jurados, graças a um Cícero e um Júlio César, foi uma vitória açucarada como compota de caju. Refrescante como a sombra do pé de umbu. Foi vitória que reconforta como cuscuz sertanejo. Foi momento tenso, triste, turvo, contudo benfazejo.

A Justiça tardou, mas não falhou (veja aqui). Não festejo. São remendos que não curam, mas confortam. Ficam a fé e a perservança; são estas que importam. Não há o que comemorar: a vítima continua morta. Um homicídio fecha mais do que uma porta.

Veio a noite, sem lençóis de cambraia. A expectativa dos próximos capítulos me despertou. Amanhecia nas barrancas do rio. Sete de maio não será tarde para o encontro dos três mandantes com suas ações. Outros sete homens decidirão. Um habeas corpus paira no ar. Planejam a prescrição.

Voei bem cedo de Petrolina para a Bahia. Estava tudo azul. Da cabine, o comandante anunciou que a chefe das comissárias de bordo descobrira horas antes que estava grávida. Palmas no avião. Notícia de morte. Notícia de vida.

Sobrevoando o sertão nordestino, lembrei-me de meu pai, de seu poeta preferido, Federico García Lorca, e da vontade desse poeta de subir até as “altas varandas”, até as “verdes varandas”.

Por isto, escrevi:

Trago lembranças doces de lugares amargos.

Trago consolos e afagos.

Trago lágrimas e novos confrades.

Trago ainda a saudade

E o gosto bom da Justiça!

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34 comentários

  1. Dr. Vladimir: um texto que emociona, um homem que luta, sente e sofre. Um brasileiro que conhece as mazelas de seu país. Um filho que honra seu pai. Um brasileiro que honra sua terra e a humanidade toda. Um procurador que honra seu trabalho e a Justiça!

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  2. Meu querido sempre colega e amigo de juventude…Dizem que estas são as amizades que levamos pra toda a vida! Mesmo à distância, pude partilhar intensamente de sua dor. Lembro-me daquele pai atencioso que ia buscá-lo na escola, quando ainda éramos adolescentes…Não tenho palavras para expressar o misto de dor e ao mesmo tempo, de alegria em ver que a trilha da justiça já está traçada sobre este caso! E saiba que a pior das penalidades sobre estes homens insanos ainda está por vir: aquela que na eternidade, nas mãos de Deus, eles sem dúvida hão de colher!

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  3. Brilhante texto de um filho dolorido, machucado, sofrido mas que ainda confia na profissão que exerce: buscar justiça. Voce honra seu pai tambem poeta, tambem fazendo com poesia um desabafo convincente. E cada injustiçado que conheça este seu escrito voltará a acreditar que alguns homens fazem a Justiça. Meus respeitos dr. Aras.

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  4. Tomei liberdade em compartilhar o seu belo texto, lembro-me de voce quando fizemos um júri na comarca de Catu, e posso atestar sua educação durante os debates, vencendo mais uma vez seu profissionalismo, não permitindo que seu infausto acontecimento interferisse na sua postura.

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  5. Professor, acessei o teu blog para pesquisar e entender melhor a pec que busca tirar do MP o poder de investigação, haja vista ser assunto que muito interessa aos policiais não delegado. Eis que encontrei o desabafo de um filho, que, de forma trágica e prematura, perdeu o seu Pai. Li todas as palavras dos teus colegas, amigos, parentes e alunos, quando pude constatar que, antes de te conhecer e te respeitar como professor, já conhecia a história de teu pai, pois conheço a família de Dona Maria Alice, com quem ele foi casado: Cíntia, Laura e Flávia Possídio. Assim, pude ligar uma coisa a outra.

    Emocionou-me as tuas palavras e a tua perseverança em fazer justiça, sobretudo fazer justiça sem pensar em vingança. Confesso que, se fosse comigo, não sei se agiria assim…(.) Sei que mesmo com tua dor, agirás como um homem probo da mesma forma que agiria teu pai.

    Confio plenamente em Deus acima de todas as coisas, portanto, faço minhas as palavras de tua irmã ditas acima: ” Da justiça divina ninguém sairá impune!!!”.

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  6. Belissímo texto, como tantos já disseram. Comoveu-me com a história de valentia do seu pai. Principalmente num país onde sabemos que tivesse ele se ladiado para o lado do corruptos nada teria acontecido só o empobrecimento do país com a continua adaga que sangra nosso país dia e noite- a corrupção impune-.
    Tivesse Becaria vivido em nossas dias no Brasil, O que diria ele desta impunidade geral…
    Felizmente ainda temos pessoas em quem depositar confiança e esperança de que dias melhores virão. De que existem pessoas inabaláveis que não se vendem, não se corrempem,

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  7. Vladimir, apenas hoje li este artigo e soube dos fatos. A saudade de um pai é infinita, mas sossegada pelas boas lembranças e pelos exemplos que deixou. Espero que a justiça prevaleça. Grande abraço,

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  8. Querido sobrinho -fiquei muito comovida quando você lembrou a infância de seu pai em Petrolina, onde estudou até os sete anos, às margens do “velho Chico”, só tendo retornado para cumprir o seu dever como auditor fiscal, eficiente e honesto. Ali, foi vítima inocente de gente inescrupulosa, perdendo seu bem maior, que foi a própria vida. Lembrei-me de César Zama em seu “Libelo Republicano” quando afirma: “Grandes criminosos podem passar impunes sobre a face da terra: a Justiça Divina , porém, os aguarda. Quanto mais esta se demorar, tanto mais grave será o castigo. Cada um será rigorosamente julgado segundo suas obras”. Aguardemois pois., Um beijo de Tia Ni.

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  9. Caríssimo colega. Quem atua no plenário de Júri há mais de um quarto de século, sabe, e muito bem, as mazelas incuráveis com que nos defrontamos diuturnamente. Entretanto, quem, por opção, atua e acredita que dentre as maneiras da justiça se pronunciar, uma das mais justas é através da sociedade, proclamada pela soberania do Tribunal do Júri, pode aquilatar a real profundidade de seu espírito ao alinhar as magníficas palavras. Quando, ao final do julgamento, premidos pelo cansaço, ao catar e semear escondidas verdades no jorro das mentiras, nos deparamos com o sentimento de justiça que transcende dos olhos das vítimas – aquelas sobreviventes, como esposa, filhos, pais… – ao receber a condenação do criminoso como dádiva de libertação e paz, fica indelével em nossos pensamentos a certeza de que algo puro e promissor foi plantado. Ainda que a brutalidade da legislação débil não autorize a alforria dos sentimentos de dor, mas concede ao assassino a liberdade para tripudiar e desaparecer, ainda assim, vale a pena continuar na liça. Suas palavras provam isso, demonstrando confiança e impulsionando para a persistência. Realmente nos emociona. Pensei em confortar, mas saí confortado. Fortíssimo e fraterno abraço. José Carlos Cosenzo – 4º Promotor de Justiça do 5º Tribunal do Júri de São Paulo

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  10. Como disse em outro sítio da net, o destino o pôs a perseguir a justiça, seja pelo seu sangue, pelo meu ou pelo povo brasileiro. Dos tempos de infância no bairro do matatu tenho ternas lembranças do Sr. José Raimundo e de sua mãe, D. Angélica, que te legaram e a seus irmãos (Larissa e Leonardo) ética, solidariedade, cidadania e ciência. Você lembrou que “bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, pois serão fartos”; sirvamo-nos, então, do banquete da justiça. Segue daqui, por mais uma vez, e por tantas vezes mais, o meu respeito, a minha admiração, e, se permitires, a minha amizade.

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  11. Belíssimo texto!
    O seu sentimento em relação ao promotor Júlio César Lira é o da sociedade brasileira em relação a todo o MP.
    E que o gosto bom da Justiça esteja no coração de todos os brasileiros em 2013.

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  12. Parabéns Vladimir, pelo belíssimo texto!
    Parabéns também ao brilhante promotor pela excelente atuação nesse primeiro Júri. Deus o abençoe e permita que essa batalha tenha um justo final, pois foram 16 anos de luta, angústia, sofrimento e espera…

    Façamos justiça por Aras! Façamos justiça por esse grande homem!
    “Grandes homens são os que sabem semear o jardim das afeições com as delicadas flores da atenção e da presença, nos momentos mais marcantes ou decisivos da sua existência.”
    Grandes homens são os que fazem diferença na vida de alguém. Recordo-me da generosidade e bondade de seu pai para com todos nós…
    Ao casar-se com minha mãe, deu exemplo de honestidade, carinho e respeito. Preparando-se para o concurso de auditor foi irmão fraterno de meu marido e seu maior incentivador nos estudos. Aos meus filhos, ainda pequeninos, ele dedicou algumas das suas horas mais preciosas para fazer valer o seu papel de avô emprestado.
    Esse homem maravilhoso morreu no exercício da sua profissão, com um sorriso no rosto e com a serenidade que lhe era peculiar. Com certeza, ele é merecedor do nosso empenho para que a justiça seja feita em sua plenitude.

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  13. Muita emoção no texto. E a certeza de um Ministério Público voltado realmente para a defesa da vítima e da sociedade.

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  14. Emocionante, Amigo! À altura da nossa insaciada sede de justiça e da memória de um grande homem que é o seu Pai. Acredite no orgulho que dá a ele, com o seu exemplo de honradez e correção, paradigma para todos os seus colegas. Um grande abraço!

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  15. Brilhante e comovente o texto. Realmente, não sabia deste triste episódio na vida do articulista, que tem minha humilde admiração pela excelência de seus escritos. E que sirva de norte para que tanto os crimes de sangue sejam mais rigorosamente punidos, quanto também nossa jurisprudência deixe de ser o que é. Particularmente, dou de ombros para julgados que considero repugnantes originários dos Tribunais Superiores. Abraço, Renato

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  16. Caro Vladimir Aras, seu relato é brilhante e emocionante. Você, com o seu trabalho e seu preparo, é a semente que seu pai plantou no sertão e que hoje faz essa “sombra refrescante do pé de umbu” sobre todo o Brasil. Faço votos de que a nossa Justiça – e sobretudo o nosso Ministério Público, que, como você mesmo disse, foi tão bem presentado pelo colega Júlio César – consiga proporcionar se não um sossego, ao menos um refresco de alma a você e aos seus familiares. A peleja persiste. Fé em Deus.

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  17. Em 2014 estarei, aos 50 anos de idade, alinhado entre os formandos da primeira turma do período noturno de Direito. Desde já, contudo, a desassombrada opção pelo pela militância penal me faz agradecer pelos conhecimentos compartilhados por todos os meus mestres e pelo exemplo de alguns deles.
    Infelizmente não tive a honra de vê-lo em ação numa sala de aula, mas tive essa oprtunidade, a de vê-lo apontar a que serve o direito penal, oferecendo para isso o vigor da sua escrita de jurista consistente e a pujança do filho que perdeu o pai estupidamente.
    Seu exemplo é mais que inspirador, professor Aras. Ele se presta, fundamentalmente, a alertar aos que chegam e lembrar aos que já estão estabelecidos na área penal de que parta mais nada servirá o Direito se não for para proteger os homens de suas próprias loucuras e e amparar suas vítimas.
    Obrigado, amigo. Sua derrota e sua vitória redimem e orgulham os que ousam acreditar que é possível avançar, ainda que sob trevas e incertezas..

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  18. Meus sinceros sentimentos no que se refere ao desencarne de seu pai.
    Embora dele só saiba o que você escreveu nessas poucas e belas linhas. foi-me fácil perceber a dignidade de pai, uma das facetas que se exprime a dignidade do homem, que deixou de herança ao filho a virtude do caráter e da confiança na democracia.

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  19. Ilustre mestre, Vladimir, não é à toa que Deus lhe chamou para ocupar um cargo público. A transparência de sua postura educa e diz à barbárie que é possível gerir emoções, embora enfrentando circunstância tal, que provoque dor, como esta, do julgamento ao vivo, dos envolvidos na morte de J.R, pai, após 16 anos de espera.
    O Senhor conseguiu passar para todos que lhe acompanham lições de grande aprendizado, como um modelo a ser seguido, ao tratar tudo dentro dos princípios éticos: expressar o que pensa e exigir o cumprimento de direitos estabelecidos na Constituição, sempre respeitando o direito à vida do criminoso, ainda que este a tenha usurpado de um ente tão querido, como mostra a realidade.
    A sociedade brasileira está aprendendo muito, os filhos de outros pais assassinados violentamente, ao tomar ciência de todo este acontecimento, poderão refletir tão nobre exemplo, como é o seu, de buscar a Justiça convencionada pela paz e não pela violência, poderão concluir que a luta pela solução de uma crise, pode evidenciar outra lógica: que é possível desenvolver a resiliência. Isto sim é pura cidadania!

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  20. Eu estava lá e confesso que não senti tanto como sinto agora. Olhando pela lente de quem sentiu a perda, chorei… Uma vida, um universo. Nunca tinha percebido essa realidade. Conforta-me a esperança de justiça.

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  21. Primeiramente, transmito-lhe meus sentimentos pela perda de seu pai. Como você disse, um homicídio de um ente querido não é só uma vida que se vai, é um mundo que se acaba.

    E este processo é um achincalhe à justiça, um convite quase que irrecusável à vingança privada! Um caso destes, em que um servidor público é morto no exercício de suas funções, demorar 16 anos para ser julgado em primeira instância!!! E só depois de um pedido de providências no CNJ!!! E o pior, o juiz não encontrar fundamentos cautelares para decretação da prisão preventiva de um sujeito que já praticou outros homicídios!!! É preciso muita terapia para que os parentes da vítima aguentem, incólumes, um martírio desses. Por isso, em relação à justiça criminal brasileira, eu sou um pessimista, razão pela qual não posso deixar de dizer que o pior está por vir (e você sabe disso). Um réu que já responde por outros homicídios sair pela porta da frente do tribunal do júri depois de ser condenado a 18 anos já é um prenúncio disso. E mesmo que ele um dia venha a cumprir essa pena de 18 anos (claro, se ela se mantiver intacta após as séries infidavéis de recursos), depois de cumpridos míseros três anos no regime fechado, ele já estará na rua!!!

    Abraço. Força e fé na justiça divina, pois essa, sim, é confiável.

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  22. VLADIMIR,

    em nome do pai, segue tu como probo e filho ungido!
    E que o sangue do teu pai seja o vinho em tua calma!,
    Tornaste homem bravo tal mandacaru, cacto e palma,
    com tua flor desperta, na saudosa aridez do amor já ido.

    Se eis morto teu pai, tão vivo e lindo vai seu filho…
    no indômito caminho de verdades antes sonhadas:
    o espírito ensina a todo tempo, amalgamadas
    toda dor e alegria de viver – ou de morrer! – em próprios trilhos.

    O homem é esse trem! Esse sonho irrealizado, pois…
    Na partida está a ora em que não se ouve alguém,
    apenas é sentida a imensidão de quem se foi;

    na chegada falam abraços, beijos e a lembrança além
    das retinas e dos passos com qual se um dia andasse sem
    só serias quem tu és – e não filho e pai, que ainda sois!

    De seu estimante aluno,

    Vinícius.

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  23. muito bonito o texto. Mais ainda o poema. Precisamos mudar a sistemática processual penal, sem suprimir garantias básicas. Não será tarefa fácil, mas é necessária.

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  24. Quanta dor expressa em palavras, que certamente são poucas para medir o sofrimento de quem sendo de casa, da justiça, teve de suportar a lentidão de um processo envolvendo um ente amado. Caro Wladimir, que Deus lhe dê muita felicidade e que seu pai descanse em paz.

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  25. Professor, que Deus lhe de a força necessária para sempre seguir em frente.
    Tenho certeza de que a maioria dos seus leitores pensa o mesmo.
    Abraços,
    J. Hernandes

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