
“Favela com PCC tem menos crimes violentos”, diz a manchete do jornal, refletindo o resultado de um estudo feito por pesquisadores brasileiros em comunidades carentes de São Paulo.
A entrada do PCC em favelas do município de São Paulo gerou um monopólio dos crimes e levou a uma redução dos homicídios nessas comunidades e no seu entorno direto. A hipótese de atuação policial implicaria a redução tanto de crimes violentos quanto de crimes contra a propriedade. Por outro lado, a hipótese da competição teria impacto apenas na criminalidade violenta. Assim, o caso do PCC indica que a competição em mercados de drogas ilegais é criminógeno.

É uma pesquisa de resultado polêmico e que deve ser submetida a debate acadêmico. As controvérsias são inúmeras. Conclusões desta ordem podem ser usadas indevidamente por terceiros – não pelos autores – para “legitimar” ou “normalizar” os “tribunais do crime” ou para “justificar” o domínio de facções sobre favelas. Elas funcionariam “melhor” do que o Estado na contenção da violência, segundo o caminho tortuoso que alguém – não os pesquisadores – pode seguir a partir daí.
“(…) o delegado Ruy Ferraz Fontes diz que não há base científica para concluir que o PCC ajudou a reduzir o número de homicídios. (…) Não consigo ver dados que permitam fazer essa afirmação de maneira tão incisiva. É muito difícil traduzir essas mortes numa equação”.
“By the same token, improved security in a country does not necessarily mean defeat for criminal networks. It may simply be that a pax mafiosa has taken hold that includes stable markets and territorial control whitout the need for violence. Conversely, an upswing in violence may signal fragmentation of criminal groups or a reaction to perceived threats from the media, civil society, politicians, or law enforcement in their fight against organized crime”.