Maus lençóis


Muito conhecido no Brasil, o ministro da Corte Suprema de Justiça da Argentina, Eugenio Raúl Zaffaroni, está na berlinda. A corte em que judica corresponde ao Supremo Tribunal Federal brasileiro.

Acusam-no de ter alugado seis dos seus quinze apartamentos em Buenos Aires para o funcionamento de prostíbulos ou puticlubs, como também se diz em espanhol. Veja aqui, aqui e aqui. O juiz, que é também professor e um renomado penalista e criminólogo (eis o seu curriculum vitae), nega responsabilidade (aqui). Disse que a culpa foi da imobiliária que intermediou os contratos de locação e atacou a “imprensa marrom”. Mas, além da prensa amarillista, o Clarín também repercutiu a notícia (aqui).

Tudo começou quando a organização não-governamental La Alameda apresentou uma notícia-crime contra Zaffaroni à Procuradoria-Geral da Nação (o equivalente à nossa PGR). A ONG La Alameda é especializada no combate à exploração sexual e ao tráfico de pessoas. A entidade alega que em apartamentos do ministro mulheres paraguaias e dominicanas eram submetidas a exploração sexual. O debate se contaminou pela política. O candidato de oposição à presidência da República Ricardo Alfonsin disse que Zaffaroni deveria renunciar. A Asociación Civil Anticorrupción manifestou-se no mesmo tom.

Devagar aí! As provas não são categóricas. Uma coisa é existirem bordéis em apartamentos do ministro. Outra coisa bem diferente é responsabilizá-lo por isto, especialmente porque eram imóveis locados.

Tudo pode não passar de falha na gestão de seu patrimônio, ou de confiança imerecidamente depositada em um auxiliar. Eugênio pode ter sido ingênuo.

Outra hipótese, mais provável, é que os proxenetas, cáftens e cafetinas tenham-se valido desses imóveis, em nome de um juiz da Suprema Corte, justamente para abusar do seu prestígio, sem o seu conhecimento, a fim de acobertar suas atividades ilícitas e obter proteção policial, por exemplo.

Enfim, como quer que seja, o professor Zaffaroni é um jurista muito respeitado na América do Sul e também no Brasil, mas na Argentina estes rumores o puseram em maus lençóis.

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3 comentários

  1. Não tenho nenhuma simpatia pelo jurista em questão, nunca gostei de seus ensinamentos, mas concordo que o fato deve ser melhor investigado para poder, eventualmente, acusá-lo de algo.

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  2. O Clarín está em uma briga declarada com as instituições argentinas, por causa da adoção dos dois filhos da dona do jornal. As avós da praça de maio dizem que os filhos são filho de presos políticos. O jornal acusa o governo. Os primeiros exames, confrontados o DNA dos filhos com o de duas famílias, deu negativo.
    Não ponho a mão no fogo por Zaffaroni; não duvido de uma cruzada do jornal disparando contra tudo e todos.
    Acho que é necessário prudência. Seis apartamentos em quinze é uma estatística complicada para ‘o acaso’, mas não para um erro de tipo, já que os imóveis são administrados por alguém de confiança… Vá saber… Ainda fico com o histórico e prestígio de Zaffaroni, do que com o denuncismo…

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