Os 20 centavos


Em 2013, os protestos populares eram contra o aumento de R$0,20 no transporte coletivo de passageiros.

A mobilização popular levou à derrubada da PEC 37, que pretendia proibir o Ministério Público de investigar crimes.

Já imaginou se procuradores da República e promotores de Justiça tivessem sido impedidos de apurar ilícitos em 2013? Onde estaríamos agora?

Os protestos daquele ano também levaram o Legislativo a aprovar a Lei Anticorrupção Empresarial (Lei 12.846) e a Lei do Crime Organizado (Lei 12.850), que contribuíram decisivamente para o avanço do processo histórico que vivemos desde a redemocratização do País em 1984.

Aí veio a Lava Jato em março de 2014, e essas duas leis foram pilares fundamentais para o êxito da investigação, inclusive para sua expansão internacional.

É certo que, por uma série de fatores institucionais, sociais e da economia, vivemos um novo cenário de busca pela integridade e de luta contra a corrupção, que encontra eco na Agenda 2030 das Nações Unidas, notadamente no Objetivo 16 do desenvolvimento sustentável: redução da corrupção em todo o planeta, como um dos meios de alcançar saúde, educação e igualdade, promover a transparência e a responsabilidade e obter infraestrutura, a fim de chegar ao desenvolvimento.

Em 2014, a Lava Jato começou investigando um esquema criminoso que funcionava num posto de gasolina situado em Brasília. Daí o nome da operação, como todos sabem.

Cinco anos depois, em maio de 2018, os protestos são por um desconto de R$0,46 no litro do diesel necessário ao transporte de cargas no Pais.

Começamos com ônibus que levam pessoas; agora são caminhões que carregam (ou param) o Brasil.

O caos criado nos postos de combustível e nos setores dependentes do rodoviarismo nos faz lembrar que uns poucos centavos podem ser muito importantes, agora, como foram antes.

Não sabemos aonde esta mobilização nos levará.

Precisamos de diesel e gasolina para chegar lá (aonde quer que seja), mas seguramente não precisamos de “gasolina” nem de incendiários no cenário político.

A democracia é um bem precioso e não é a prova de produtos inflamáveis.

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